Arsênico

Sou obrigada a perguntar. Por aí também andam na neura de reduzir arsênico no arroz?

Escutando o rádio de manhã, alguém alertando a Dinamarca para tomar cuidado com arroz, que faz mal, que pode causar câncer. Recomendam deixar o arroz de molho por várias horas e jogar a água fora ou cozinhar com bastante água (como macarrão) e jogar a água fora para diminuir a concentração de arsênico.

Eu fiquei pensando: que exagero. Os dinamarqueses comem arroz uma vez a cada lua cheia. O negócio deles é comer batata. Se aqui fosse como no Brasil, onde se come arroz duas vezes por dia, ou no Japão, onde se come arroz nas três refeições do dia, aí eu entenderia a histeria.

Ou a histérica sou eu, e eu deveria estar mais preocupada? Afinal, eu sou fã de arroz e como com bastante frequência. Mas sabe quando que vão me convencer a deixar arroz de molho?

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Zoo

Saí do trabalho 4 da tarde. O sol estava me chamando. Como de costume, resolvi voltar para casa caminhando. Só metade do caminho, pois o caminho todo são 12 km, demora demais, e no momento ainda está escurecendo lá pelas 18h.

Se você passou pelo blog em junho de 2023, deve ter visto minha postagem sobre a área do Flyvestation, que eu atravesso na caminhada pra casa. Naquele dia eu estava com tempo e fui lendo as placas. Li que, se tivesse sorte, era possível ver veados selvagens. Eu lembro que pensei que precisaria de um milagre para ver veados naquela área, mas naquele dia, só pra pagar minha língua, eu vi três!

Depois disso achei que nunca mais veria nenhum, mas hoje foi meu dia de sorte. Adivinha quantos eu vi?

Nessa área normalmente a gente só vê dois bichos: cachorro passeando na coleira e as vaquinhas do cara que tem uma fazenda na beira do lago. Vê também passarinho, mas isso não conta, ou conta?

Naquele dia que estava tudo coberto de neve, tive sorte, e eu vi uns patos e uma raposa durante minha caminhada.

Hoje, no entanto, eu vi tanto bicho, que acho que dava pra montar um zoológico.

Sem exagerar, eu vi 8 veados, um cavalo vestido de Bob Marley, uma raposa (será que é a mesma da última caminhada?), e pouco antes de começar a escurecer, eu escutei uns relinchos. Do nada apareceram dois cavalos soltos, passeando livremente, sem ninguém montado neles. Era um cavalo branco e outro preto. Pena que estava muito longe e escuro e não consegui tirar foto. Fiquei imaginando se eles estavam perdidos.

Dessa vez eu consegui surrupiar uma foto da raposa, pois ela parou no meio da ciclovia para me encarar! Ela estava meio longe, tive que colocar o zoom no máximo, mas dá pra ter uma noção.

Já o “Bob Marley”, eu tive que esperar ele passar por mim para tirar a foto, porque a guria montada nele era muito mal encarada. Fiquei com medo dela. rsrs

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Progredindo

Fui visitar Helle. Eu estava preparada para o pior, mas as coisas estão progredindo. Devagar, mas progredindo.

Helle saiu daquele hospital horrível e foi para a clínica de reabilitação. Por sorte ela conseguiu exatamente a clínica que queria, a que fica pertinho de sua casa.

Helle tem seu próprio quarto lá.

Bati na porta, disseram pode entrar. A primeira coisa que vi assim que abri a porta foi uma bolinha de pêlo saltitante que se mostrou muito contente em me ver. Molly estava no quarto. Realmente aquela cadelinha é muito querida e é boa companhia para Helle.

Helle ainda não tem conexão com o pé esquerdo. Ela sente a gente tocar no pé, mas não tem coneção entre o cérebro e o pé, então ela não consegue mexer o pé ou colocar peso nele. Mas Helle não está em cadeira de rodas, como eu tinha imaginado. Ela está conseguindo ir ao banheiro sozinha usando um andador. Isso é uma grande evolução comparado com 7 dias atrás. Eu estou torcendo para que essa conexão pé-cérebro volte em breve.

Semana que vem Helle poderá voltar para casa e continuar a reabilitação de casa. Fiquei muito contente em ouvir isso.

Outra boa notícia é que Helle e Christian vão se casar. Se entendi direito, será em breve, algo simples, para garantir que quando Helle morrer, Christian possa ficar morando na casa que os dois compartilham. Coisas buracráticas da Dinamarca. Não falaremos disso.

Infelizmente a expectativa é que Helle tenha uns 4 a 7 anos de vida após essa cirurgia. Não conseguiram retirar todo o tumor durante a cirurgia e ela me explicou que não recomendam radioterapia no seu caso, porque o tumor está numa área vital do cérebro. A radiação pode matar partes importantes do cérebro e debilitar Helle ainda mais. Inevitavelmente, esse tumor vai crescer novamente. O questão é se será um crescimento lento ou não.

Os planos de Helle são de aproveitar o máximo seu tempo restante de vida. Está certa ela! Em seu lugar, eu faria o mesmo.

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Brunch

Hoje de manhã fui encontrar uma amiga brasileira lá no centro de Copenhague para comer um brunch. Ainda bem que eu tinha combinado esse encontro. Isso me forçou a sair da toca. Estava um dia lindo ensolarado e se eu tivesse ficado em casa, teria perdido o dia todo no Netflix (se bem que no momento estou achando todos os programas no Netflix uma chatice, rsrs).

A cidade estava abarrotada de gente. Acho que o sol fez todo mundo sair de casa.

Considero Copenhague uma cidade muito bonita. Quando atravessei a ponte dos lagos, tirei umas fotos. Eu gosto muito de caminhar por ali. Engraçado é que de 2001 até 2005 eu morava umas 3 quadras de distância desses lagos, porém eu nunca ia lá. Naquela época eu quase não saia do apartamento. Só ficava grudada na frente do computador dia e noite. Agora que estou mais velha e dou mais prioridade para pegar ar fresco e luz do sol, se eu morasse perto dos lagos, provavelmente iria caminhar ao redor deles com bastante frequência.

Mas voltando ao brunch…

Eu e Elise chegamos no restaurante exatamente no mesmo instante. Ela chegou de um lado da rua e eu do outro. Se tivesse combinado, não teria dado tão certo.

Elise é nissei e tem a típica fisionomia japonesa: olhos puxados, cabelo preto e liso, baixinha. Aqui no estrangeiro, nunca ninguém espera que da boca dela sairá português fluente.

Ela foi a Portugal recentemente, e me contou que o povo ficava confuso ao ouvir uma “japonesa” falando português tupiniquim. Eu imagino!

Elise queria saber como foi minha viagem ao Japão e se eu tive coragem de provar as comidas exóticas. Coisas como “natto”. Eu provei natto sim. Mas também foi uma vez e nunca mais. Aquela baba parecendo jiló, sem condições. Mas provei.

Foi bom conversar com ela, porque como ela vai ao Japão com frequência visitar a família (a família dela acabou voltando para o Japão, depois de sofrer um bocado com o processo de imigração no Brasil) ela conhece bem os lugares que eu mencionei e conhece os babados que eu contei, como o episódio em Hiroshima do youtuber lamber os sushi e colocá-los de volta na esteira para os outrors fregueses comprar.

O restaurante no qual fomos se chama Sidecar e até que foi decente. Serviram uma comidinha boa, mas fiquei indignada que a beirada do meu prato estava quebrada em dois lugares. Essa é a primeira vez que me servem comida num prato quebrado. Elise disse que isso acontece com ela com frequência na Dinamarca. No Brasil está assim também, restaurante servindo em prato quebrado?

Outra coisa que não curti nesse restaurante, é que a reserva é válida por somente 90 minutos. Na maioria dos restaurantes que servem buffet de brunch, a reserva é válida por 2 horas. 90 minutos achei pouco. Eu ainda estava comendo quando o garçom veio dizer que a reserva tinha acabado e eles precisavam da mesa daqui a 15 minutos!

Fora isso foi um dia muito bom.

Como eu estava em Copenhague, que é metade do caminho até Roskilde, depois do brunch, ao invés de voltar pra casa, eu peguei o trem regional e fui visitar a Helle…

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Acompanhamento

Dez dias se passaram pós cirurgia. Helle me mandou uma foto dos pontos no cocoruco. Nos filmes e seriados a gente sempre vê que quem fez cirurgia no cérebro têm o cabelo todo raspado e eles enfaixam a cabeça toda. Assim não foi com Helle. O cabelo está quase todo lá, só rasparam um zigue-zague no meio onde fizeram o corte. Muito estranho.

Ela ainda não consegue sentir nem movimentar a perna esquerda. Fico pensando se minha amiga vai ficar o resto da vida numa cadeira de rodas. Logo ela que adora fazer longas caminhadas com sua cachorrinha e ir pra academia e exercitar por horas.

Eu tento falar de coisas que não estão diretamente ligadas à doença e perguntei se a estavam tratando bem no hospital e se a comida era boa. Enquanto ela estava no Rigshospital, desse que sim, porém semana passada ela foi transferida para um hospital na cidade de Roskilde e lá não é nada bom.

As enfermeiras brigam umas com as outras na frente dos pacientes, tratam os estudandes de enfermagem mal, e desprezam os pacientes.

Helle não consegue se levantar por causa da perna. Quando ela chama para ir ao banheiro, leva mais de meia hora até uma enfermeira aparecer. Helle precisa de um fisioterapeuta e até agora nenhum veio fazer consulta. Descaso total. Tem uma enfermeira que vem da Albânia, essa trata Helle bem, e Helle comentou que parece que o clima entre as enfermeiras não parece bom. A resposta foi: Tem enfermeira aqui que mais parece guarda de penitenciária.

Ontem no telefone Helle comentou de umas complicações. Eu não entendi tudo, pois é um vocabulário em dinamarquês que eu não conheço, mas entendi que talvez ela precisará de nova cirurgia. Helle falou com muito pesar que ela acha que não vai sobreviver.

Que aperto que me deu no coração.

Quando ela estava no Rigshospital, eu queria ir visitá-la, mas ela tinha dito antes da cirurgia que não queria visitas. Eu respeitei e não fui.

Porém descobri que alguns colegas antigos foram visitá-la. Puxa vida. Se eu soubesse, também teria ido. Agora que ela está em Roskilde, fica mais difícil. São duas horas pra ir e duas pra voltar.

Pelo que entendi, nessa semana ela será transferida para um centro de reabilitação. Parece que ela pediu para ir num que fica perto da casa dela – assim dará para ela ver a Molly, a cachorrinha mais adorável da Dinamarca 🙂 – mas não dá para saber com certeza. Helle pode parar em qualquer parte da Dinamarca onde tem vaga.

Eu estou na torcida para que dê tudo certo e vou tentar achar alguém que possa me dar uma carona até Roskilde.

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Fofoca

Nossa, que hoje eu fiquei sabendo do maior babado. Não sei nem se coloco esse artigo na categoria de Cá entre nós ou em Família Real.

Olha só pro cê vê…

Uma amiga do meu trabalho antigo, a Joyce, também arrumou emprego na empresa onde estou agora. Recentemente ela passou uns meses afastada por causa de estresse mas hoje eu a vi e combinamos de matar a saudade e colocar o papo em dia durante a pausa do almoço.

Joyce também conhece a Helle e ficou sabendo por alto do que se passou. Conversamos um pouco sobre isso, mas depois o conversê tomou outro rumo.

Originalmente da Holanda, Joyce estava me contando que lá eles têm uma celebração chamada Dia do Rei (eu nem sabia que na Holanda tem monarquia – olha meu nível de desinformação!) e que ela está planejando de ir até Amsterdã ver a celebração. Um assunto puxa o outro, eu pergunto se ela foi até o centro de Copenhague no outro dia dar tchau pra Rainha Margrethe e ver a coroação do Frederico. Ela não foi porque não se considera dinamarquesa (ué, eu também não, mas eu era fã da rainha Margarida).

De repente tocamos no assunto do caso que o Frederico teve com a Mexicana e eu comentei que achava que a Mary não merecia uma coisa dessas. Então para não ser tão cri-cri, eu acrescentei que na verdade a gente nunca sabe o que se passa com um casal entre quatro paredes.

Foi aí que minha amiga soltou uma bomba.

Joyce tem um amigo que é jardineiro na “casa” do Frederico e Mary, e ele disse que a Mary o trata mal e que ela é uma baita esnobe metida a besta.

Fiquei boba. Nunca imaginei.

Sempre fico admirada como algumas pessoas conseguem mostrar uma fachada em público e serem algo completamente diferente quando as câmeras estão desligadas.

Nada disso afeta a minha vida, mesmo assim eu não sei o que pensar.

Eu tenho um carinho pela rainha Margarida, especialmente porque eu ouvi coisas boas a seu respeito. E eu achava que teria o mesmo carinho pelo rei Frederico, mas depois de ouvir da traição, eu não consegui deixar passar. Porém agora, sabendo que a rainha Mary é na realidade uma víbora, não sei o que pensar. Cheguei a ficar com pena do Frederico, coitado.

Aff, isso parece aquelas coisas de novela, mas na verdade essa é uma história real (real em ambos os sentidos!).

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Helle

Eu comentei em dezembro que minha antiga colega do serviço foi passar férias na Austrália e Nova Zelândia e voltou de lá com um tumor no cérebro.

Aquele dia em que ela caiu, quebrou o nariz e teve que fazer uma tomografia… tenho certeza de que ela não achou que aquele foi um dia de sorte. A verdade é que aquela queda salvou a vida dela.

Como é um tumor benigno que cresce devagar, os médicos neozelandezes deixaram Helle ir pra casa para ser examinada melhor quando chegasse na Dinamarca.

No dia que eu estava na ilha Gran Canaria, Helle foi ao médico porém naquele dia a única coisa que marcaram foi uma ressonância magnética.

Lembro que pensei que demoraria para conseguir esse exame, pois quando eu precisei de ressonância por causa da endometriose, demorou um tempão. Foi diferente com Helle. Não sei se quando se trata de tumor ou câncer o exame sai mais rápido.

Duas semanas mais tarde ela já tinha feito o exame e ficaram pasmos de ver que o tumor tinha crescido mais meio centímetro em tão pouco tempo e estava pressionando uma veia importante entre os dois hemisférios do cérebro e se infiltrando no crânio.

Quando o resultado do exame saiu, queriam internar Helle no mesmo dia para aguardar a cirurgia no hospital. Eles diziam que havia muito risco dela começar a ter episódios epileticos por causa do tumor. Mas Helle pediu para esperar pela cirurgia em casa. O médico concordou mas disse que se ela tivesse algum ataque, que teria que correr para o hospital.

Dez dias atrás eu e Helle nos falamos por quase duas horas no telefone. Ela me contou que estava precavida e tinha preparado uma malinha, por via das dúvidas, caso precisasse correr para o hospital. Dois dias depois Helle me escreve para dizer que a cirurgia tinha sido marcada para primeiro de fevereiro (hoje).

Ontem, 31 de janeiro, de noite eu pensei muito em Helle. E não sei porque eu achava que a cirurgia seria na sexta ao invés de hoje, quinta. Eu disse pra mim mesma: amanhã tenho que lembrar de escrever pra Helle para desejar boa sorte.

Hoje, quinta 1 de fevereiro, de manhã eu estava pronta para escrever, então vejo que me enganei com a data e que naquele horário Helle provavelmente já estava sendo operada. Putz. Que mancada. Como pude me enganar assim com a data?

Decidi então que esperaria até de noite para escrever para o namorado dela, e perguntar como tudo se passou.

Nos últimos dois anos eu assisti a uns trocentos episódios de Grey’s Anatomy, e se tem algo que dá para aprender com esses seriados, é que cirurgia no cérebro, além de perigosa, pode demorar horas e horas e horas.

Tive um dia bem ocupado no trabalho, mas pensei muito em Helle. Eu estava genuinamente preocupada. Toda cirurgia tem seus riscos. Eu perdi Simone 4 anos atrás. Não vou aguentar se mais uma das minhas amigas morrer.

Nove anos atrás, quando eu comecei a trabalhar na Lundbeck, muito rapidamente eu percebi que iria detestar o trabalho. E foi dito e feito. Em poucas semanas eu já não aguentava o tédio daquelas tarefas. Mas eu decidi ficar na Lundbeck por causa da colega, Helle. Eu já tinha trabalhado com colegas bacanas no passado, mas Helle era fora do comum por causa de sua positividade (sem ser uma positividade tóxica) e sua maneira de tratar todos com muito carinho mesmo nos dias em que o bicho estava pegando.

Eu achava Helle uma pessoa fantástica, ser humano com H maiusculo, e eu achava que a companhia dela me faria bem, pois eu estava vindo de um trabalho onde tinham me tratado muito mal por muito tempo. Eu precisava daquele carinho e positividade, e eu dizia pra mim mesma que valia a pena aguentar aquele trabalho entediante só para estar perto dela. Por causa de Helle eu aguentei ficar naquele trabalho por 8 anos.

Quando eu finalmente decidi procurar novo emprego, Helle estava afastada do serviço por causa de estresse. Bom, naquela época, quase um ano atrás, a gente achava que era estresse, mas poucos dias atrás o médico disse que provavelmente não era estresse coisa nenhuma. Era provável que todos aqueles sintomas estavam sendo causados pelo tumor no cérebro.

Helle obviamente nunca melhorou do “estresse” e seis meses atrás acabou fazendo um acordo com a Lundbeck para ser despedida mas receber todos os benefícios de um funcionário que trabalhou na empresa por 25 anos.

Uma história longa para entender o quanto Helle é importante na minha vida e o tipo de conexão que tenho com ela.

Momentos atrás eu escrevi para Christian, o namorado. Ele disse que correu tudo bem, que Helle está lúcida e que vai ficar uma cicatriz enorme na cabeça (que eles acham que o cabelo depois vai cobrir). Então ele escreve que Helle não consegue nem sentir nem mover a perna esquerda.

Foi aí que todos aqueles episódios dos seriados vieram na minha cabeça e bateu uma preocupação enorme.

Segundo os médicos, dizem que é comum isso acontecer pós cirurgia e que eles esperam que vai normalizar em um ou dois dias.

Helle vai ficar internada no Rigshospital em Copenhague até segunda e depois não sei se ela vai ser movida para um hospital perto da cidade onde ela mora ou se vai poder voltar para casa.

No telefone duas semanas atrás, Helle me disse que não queria receber visita no hospital. Eu vou a Copenhague amanhã e eu poderia passar pelo Rigshospital para dar um alô, mas acho que vou respeitar o desejo dela.

Segunda-feira eu escrevo direto para ela para saber como ela está se sentindo e qual o prognóstico.

Se fosse eu, numa cama de hospital sem poder mover a perna esquerda, acho que estaria com bastante medo. Mas estamos falando de Helle. Ela tem essa positividade mesmo nas situações mais adversas. É isso que admiro tanto nela.

Helle vai me matar, mas roubei uma foto dela na Nova Zelândia depois do acidente. Eu admiro que ela consegue sorrir e estar tão radiante mesmo depois de receber um diagnóstico tão perturbador. Eu não sei se conseguiria o mesmo. É por isso que eu sou fã número um dela e estou torcendo muito pela sua melhora!

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Planejamento

Até semana passada eu não tinha ideia do que eu queria fazer nas minhas férias nem como dividir as férias esse ano. Minha chefe insistindo pra gente colocar no calendário os “desejos” de férias. E agora, pra onde eu vou esse ano? Minha lista de desejos está meio vazia.

Férias na Dinamarca

O governo estipula que o mínimo de férias anuais devem ser 5 semanas (25 dias), mas a maioria das empresas dão 6 semanas (30 dias). Dia de feriado não entra nessa conta.

O povo tipicamente tira uma semana de folga em fevereiro – quem tem filho principalmente, pois as escolas fecham por uma semana para “férias de inverno”, e tem muita gente que gosta de viajar nesse período para esquiar na neve. Eu acho que nunca tirei férias em fevereiro. Prefiro esperar até Março, que tem mais sol.

Depois vem o feriadão da páscoa (que aqui é tão longo quanto o feriado de Carnaval no Brasil). Muita gente pede uns 3 dias de folga para emendar tudo. Usando somente 3 dias do banco de férias dá para ficar de folga por uns 10 dias no total. É bom demais para não aproveitar.

As férias principais são obviamente as férias de verão e a maioria tira em junho ou julho, pois é o período de férias escolares. A maioria pede 3 semanas de folga, algumas pedem 4 semanas. Tudo fica mais caro nesse período. Mas como eu não tenho filhos, posso deixar para tirar minhas férias de verão depois que as escolas voltam às aulas, no fim de agosto ou setembro. Fica mais econômico assim e menos multidões.

Depois das férias de verão começa a contagem dos dias restantes no banco de férias. Tem o suficiente pedir folga no natal, por exemplo?

Em outubro as escolas fecham por uma semana para férias de outono. Isso vem de antigamente, quando as crianças ajudavam na colheita das batatas. As coisas mudaram mas as escolas na Dinamarca e a Suécia ainda têm essas férias de outono. Então tem gente que tem que usar férias nesse período porque alguém tem que ficar em casa cuidando das crianças.

Meu aniversário é em outubro. No Brasil era uma beleza, pois no meu niver é feriado, mas aqui eu tenho que trabalhar. Eu adoraria tirar folga no meu aniversário, para viajar e comemorar, mas coincide com o período dessas férias de outono escolares e os preços de passagem vão lá em cima. Prefiro então esperar e viajar quando os preços estão mais em conta.

Planos das tia Cris

Dúvida cruel. O que fazer esse ano?

Ficar em casa para descansar não é uma opção. Onde moro não dá para descansar. O barulho dos vizinhos, dia e noite, me enlouquecem. Se eu ficar em casa, tenho medo que eu possa assassiná-los e daí vou passar “férias” na prisão.

Faço então várias viagens curtas? Vou caçar forró? Vou visitar lugares que já conheço e gostei ou vou explorar lugares novos?

Dei uma olhada no calendário dos festivais de forró. Vi que o festival em Torino na Itália vai comemorar 10 anos e será em maio. Fiquei interessada. Em maio tem sol e não faz demasiado calor, é uma boa época para viajar. Não conheço Torino. Não tem vôo direto da Dinamarca mas vi que dava para ir via Milão por um preço até que acessível. Beleza, coloco Torino na lista para maio.

Detalhe. O festival anunciou que ia vender ingreços no domingo passado à partir das oito da noite. 19:55 eu já estava online. 20:00 em ponto eu clico e não abre a página. Clico, clico, clico. Perdi uns 20 segundos nisso. Finalmente a página abre, preencho tudo rapidamente, escolho o tipo de ingresso que quero, clico em pagar, dá erro. Recomeço tudo, preencho meus dados e quando vou pra página para escolher os tipo de ingresso diz que já estava esgotado. Eram 20:04. Vendeu tudo em menos de 4 minutos. Fiquei de cara.

Eu achava que somente o festival em Munique fosse assim. Monique vende todos os ingressos em menos de 3 minutos. Nesses anos todos que danço forró, eu só consegui ingresso para Munique uma vez! Agora Torino está assim também?

Torino está anunciando que vão vender um novo lote de ingressos, mas os preços estão lá em cima. Aí já não me interessa mais. Prefiro achar outro festival que estaja num preço bom.

Então vi que o festival Miudinho em Berlim ia vender ingreços ontem às 12h. Tia Cris, firme e forte, prontíssima às 11:55 da manhã. Ao meio-dia tudo funcionou certinho. Infelizmente só tinha uma opção de ingresso, meio caro, mas comprei de qualquer forma. Ano passado eu gostei muito do festival do Miudinho. Espero que esse ano seja animado da mesma maneira.

Agora que o ingresso está comprado, tenho que me programar para essa curta viagem para Berlim em agosto para dançar forró. Quem sabe achar algum forrozeiro para compartilhar acomodação, comprar passagem, pedir folga, etc e tal.

E esse é o único festival que comprei até agora para 2024. Tenho olhado quais outros festivais me interessam, quando vão vender os ingressos, e se eu tenho conexão para viajar de Copenhague. Antigamente conexão para viajar não era um problema, mas depois da pandemia não tem mais tanto vôo barato saindo daqui. As coisas mudaram bastante.

E as férias? Decidi que vou tirar 3 férias.
- Uma semana na páscoa
- Uma semana em junho
- Três semanas em setembro.
Daí sobra uns dias no banco de férias para encaixar uns forró no período do verão. Ou isso, ou uso esse restante de férias para sumir durante o natal. Só não sei pra onde vou. O povo fala muito de Tailândia. Será que eu iria gostar de lá?

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Viagens 2023

Passei o sábado planejando minhas viagens desse ano e lembrei que no tempo que eu era (mais) viciada em forró, eu viajava 20 vezes ou mais ao ano para dançar. Lembrei que eu escrevia no blog a lista dos lugares que visitei. Eu escrevo essas listas no blog, não é pra me vangloriar. É mais pra mim mesma, para me ajudar a lembrar das coisas boas que fiz durante o ano. A última lista é de 2019, pois não dancei mais quando a pandemia começou em março de 2020 e tudo parou.

Fiz muito poucas viagens no período da pandemia e nenhuma foi pra dançar, pois contato próximo com as pessoas estava proibido. Então foram viagens para passear, tipo Veneza, Ilha da Madeira, Malhorca.

E o tempo passou e eu estava mega ocupada tentando terminar aquele mestrado. Só voltei a dancar em novembro de 2022, quando fui pra Hamburgo no festival #Forró edição de inverno. Quando fui pra Hamburgo, eu estava muito na dúvida se ainda lembrava dançar, pois forró não é mais aquele ritmo gostoso do “dois pra lá, dois pra cá”. A dança evoluiu com passos complicados. Cheguei a fazer umas aulas na Suécia para me preparar para esse festival.

Não estou dançando tão bem quanto antes, mas me diverti, então bora dançar mais! Até na minha viagem ao Brasil em dezembro de 2022 eu fui caçar forró.

Empolgada, voltei a planejar minhas viagens para incluir dança.

Essas foram as viagens de 2023:

  1. Londres (Inglaterra) – Março – Fui para a minha formatura do mestrado, mas deu para dançar um forrozinho. Foi engraçado que eles dançavam no salão de uma igreja!
  2. Tromsø (Noruega) – Março – fui pra lá direto de Londres. Queria comemorar a formatura vendo a aurora boreal, andando de trenó puxado a cachorro e fazendo caminhada na neve. Consegui fazer essas três coisas pois São Pedro colaborou com sol e céu estrelado.
  3. Estocolmo (Suécia) – Abril – um bate-volta para fazer um workshop de forró
  4. Brighton (Inglaterra) – Maio – Festival de forró (esse estava planejado desde 2020 quando covid mudou meus planos – não precisei nem comprar passagem, pois eu ainda tinha o voucher que a companhia aérea deu para reembolsar a viagem cancelada de 2020).
  5. Bruxelas e Bruges (Bélgica) – Julho – fui visitar minha amiga brasileira que estava rodando a Europa
  6. Hamburgo (Alemanha) – Julho – Festival #Forró edição verão
  7. Berlim (Alemanha) – Agosto – Festival de forró Miudinho
  8. Frankfurt (Alemanha) – Setembro – Evento de forró
  9. Aarhus (Dinamarca) – Setembro – Festão que minha amiga fez e veio forrozeiro até da Suiça para dançar com a gente. Minha amiga ficou irada comigo porque eu não queria dançar e estava mais interessada em jogar sinuca. rsrs (quem mandou ela alugar uma casa com mesa de sinuca no meio da sala!)
  10. Japão Outubro – realizei meu sonho.
  11. Gran Canaria (Espanha) – Dezembro – fugida básica de fim de ano para não passar o natal só.
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Coroação

Domingo passado, dia 14 de janeiro de 2024, a rainha Margarida II “pediu demissão” e o príncipe herdeiro assumiu o trono.

Falando a palavra “coroação”, eu imagino uma cerimônia parecida com aquelas que a gente vê nos filmes: a rainha se levanta do trono, tira a coroa da cabeça, a coroa vai para a cabeça do novo rei, e ele se senta no trono.

Não foi assim.

A programação era:

  • 13:45 a rainha sai do castelo Amalienborg de carruagem e o filho sai atrás de carro
  • 14h chegada no castelo Christiansborg (que é a casa do parlamento)
  • A rainha assina a abdicação e volta para o Amalienborg no carro
  • 15h a primeira ministra proclama o novo rei aos súditos da sacada do Christiansborg
  • O rei (e sua rainha, Mary) voltam para Amalienborg na carruagem.

De manhã, vi que não estava nem chovendo nem muito vento e a temperatura estava um pouquinho acima de zero, o que já ajuda. Juro que tentei tomar coragem para sair de casa e ir até o centro assistir à proclamação, mas quando vi dez da manhã que estavam entrevistando gente que já estava na frente do Christiansborg desde cedo, fantasiados achando que aquilo era um baile de carnaval, eu imaginei a multidão que iria até lá.

Dito e feito. De tarde diziam toda hora na tv que tinha tanta gente que a polícia teve que bloquear a entrada de mais gente. Então teve gente que não conseguiu ver nada. Ainda bem que não fui.

13:36 eu abri o aplicativo do canal DR e vi que eles estavam mostrando tudo ao vivo. Para minha surpresa, 13:38 o portão do castelo se abriu e a carruagem já estava em andamento. A rainha saiu de casa uns minutos mais cedo do que programado! Que sorte que eu estava online naquele momento, ou teria perdido.

Acabei que fiquei assistindo a tudo online, do conforto do meu sofá, até umas 15:20.

Foi um dia comovente. Todo mundo acenando para a rainha durante o trajeto. A embaixada da França fez uma bandeira enorme roxa com o logotipo M da rainha Margrethe e escreveu a palavra “Merci”. Eu achei muito comovente isso.

Depois veio o vídeo da rainha assinando os papéis da renúncia e os entregando para a primeira ministra. A rainha se levanta da cadeira, acena para o filho sentar. E assim que ele se senta ela diz: Deus proteja o rei.

Eu achei isso emocionante, porque a rainha sempre terminava seus discursos dizendo Deus proteja a Dinamarca, e agora ela disse o mesmo, mas pedindo para proteger seu filho.

E as coisas mudaram não só para o Frederico, mas também para seu filho mais velho, Christian, que agora passa a ser chamado de príncipe herdeiro.

Junto com a equipe de comentaristas tinha um jornalista mais velho que presenciou em 1972 o dia que Margrethe foi proclamada rainha. Ele disse que naquele ano, toda a guarda estava vestindo o uniforme azul, mas que hoje, a guarda estava vestindo o traje de gala, que é vermelho. Uma jornalista mais jovem brinca dizendo que todas as fotos de 1972 eram em preto e branco e não dava pra ver a cor do uniforme. rsrs O velhinho não se abalou com o comentário e disse que o traje vermelho indica que estamos testemunhando uma celebração. (Acho que ele se refere ao fato de ser o dia do jubileu de 52 anos de reinado, apesar dela estar abdicando, e o novo rei será proclamado sem ter tido uma morte na família, ou seja, ninguém está de luto).

castelo amalienborg visto de cima

Assistindo a rainha Margrethe voltar para o Amalienborg, eu ouvi um comentário que ficou marcado comigo. O comentarista disse que a rainha Margrethe continua sendo rainha, ela só não é mais a rainha regente.

Bom, ela também não vai mais morar no mesmo palácio. O castelo Amalienborg (foto ao lado) é formado por 4 palácios na forma de um octágono. O palácio abaixo na esquerda é reservado para o monarca regente. A rainha Margrethe, depois de abdicar, não pode voltar para esse palácio. Ela foi para um dos outros e vai continuar recebendo um salário do governo, que será equivalente ao salário que a mãe dela, rainha Ingrid, recebeu depois da morte do rei Frederico IX.

Enquanto a gente se preparava para dar 15h, esperando Frederico aparecer na sacada, a tv mostrava a multidão de gente nas ruas. E mostrava a guarda se posicionando embaixo da sacada.

Então a porta da sacada se abriu. Frederico veio sozinho, todo emocionado com lágrimas nos olhos. E o povo animado, acenava. Então veio a primeira ministra e ela explica que ela deve repetir a proclamação por três vezes.

Enquanto ela repetia a proclamação, eu estava torcendo para que ela não errasse, pois é muito fácil trocar as palavras numa situação dessas. Esse foi o discurso dela:

Hoje é domingo, 14 de janeiro de 2024.
Sua Majestade, a Rainha Margrethe II abdicou.
Em nome do Reino, gostaria de agradecer de coração a devoção da Rainha Margrethe.

Obrigada por levantar o legado, o dever e a responsabilidade.
Obrigada por nos conectar ao passado e nos preparar para o futuro.
Obrigada por se dar ao trabalho. E muito mais.

Cada rainha e cada rei são um elo de uma corrente com mais de mil anos. Quando um recua, o próximo está pronto.

E o Príncipe Herdeiro, que agora será nosso regente, é um Rei que conhecemos. Um rei com quem nos importamos. Um rei em quem confiamos.

Ao saudarmos o novo chefe de estado da Dinamarca, e desejando felicidades para a sua vida e trabalho – e, portanto, para a Dinamarca – devo, de acordo com o costume do Estado dinamarquês, exclamar três vezes:

Sua Majestade a Rainha Margrethe II abdicou.
Viva Sua Majestade o Rei Frederico Décimo!

Sua Majestade a Rainha Margrethe II abdicou.
Viva Sua Majestade o Rei Frederico Décimo!

Sua Majestade a Rainha Margrethe II abdicou.
Viva Sua Majestade o Rei Frederico Décimo!

Uma vida nove vezes maior para Sua Majestade o Rei.

Viva, viva, viva, viva

Eu imagino que em 1972 a proclamação foi assim: “Sua Majestade o Rei Frederico IX morreu, viva Sua Majestade a Rainha Margrethe II”. Quem sabe quando eu estiver velhinha eu vou assistir à proclamação do futuro rei Christian XI.

Mas voltando ao assunto… Em seguida Rei Frederico X fez um discurso comovente. Daí Mary veio se juntar a ele na sacada e uns minutos depois vieram os filhos. Ficaram ali uns 8 a 10 minutos e depois entraram no castelo e fecharam a porta da sacada.

Eu estava pronta para me levantar do sofá quando vejo que eles reabrem a porta da sacada e começa tudo de novo, Frederico acenando, depois com Mary, depois com os filhos. Parecia até concerto de música ou peça de teatro, que depois que fecha a cortina, o artista volta para mais uma rodada de aplausos. Meio palhaçada, mas tudo bem. A gente dá um desconto porque para eles esse foi um dia especial. Num momento rolou até um beijo entre o casal de pombinhos (se bem que o que me veio à cabeça foi o escândado da infidelidade com a mexicana).

Depois acompanhei eles voltando para o Amalienborg de carruagem e chega.

No dia seguinte, segunda-feira, foi o primeiro dia do novo rei no parlamento. Eu achei interessante que, no primeiro dia de trabalho do rei, a Rainha Margarida estava lá e ela se sentou atrás de Frederico. Isso sim é que é sorte, trazer mamãe para o primeiro dia de trabalho!

E a história não acaba aí. Três dias depois da coroação, Frederico publicou um livro, assim, de supetão. Pegou todo mundo de surpresa.

Não sei bem do que trata o livro, acho que sobre a posição da Dinamarca no mundo e sua vida com a Mary. O título é Palavra do Rei e o livro está sendo vendido na DK por 250 coroas, o que é um preço relativamente alto. Normalmente eu compro livros que custam menos de 120 kr.

Também se fala muito na rainha Mary. De como ela é a primeira rainha do mundo nascida na Austrália, e a primeira rainha, na história da Dinamarca, que era uma cidadã comum, ou seja, não vem da nobreza.

Termino esse artigo com o discurso do Rei Frederico X no dia da coroação. Ele colocou seus óculos para ler o texto. Eu teria lembrado daquele texto de cor e salteado. rsrs
Eu gostei do discurso. Foi curto. Aparentemente discurso na Dinamarca não fica naquela lenga lenga.

A minha mãe, Sua Majestade a Rainha Margarida II, governou a Dinamarca durante 52 anos.

Ao longo de meio século, ela acompanhou os tempos tendo como ponto de partida a nossa herança comum. Ela será para sempre lembrada como uma regente extraordinária.

Minha mãe, como poucos, conseguiu se unir ao seu reino.

Hoje, o trono passa adiante.

Minha esperança é me tornar o rei da união de amanhã. É uma tarefa que tenho abordado durante toda a minha vida.

É uma responsabilidade que assumo com respeito, orgulho e muita alegria. É uma ação que farei um esforço para levar adiante a confiança que encontro.

Precisarei de todo o apoio que puder da minha amada esposa, da minha família, de vocês e daquilo que é maior que nós.
Encaro o futuro com a certeza de que não estou sozinho.

Conectado, comprometido – para o Reino da Dinamarca.

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Netto

Aquele dia que narrei a história de encontrar o ruivo no Netto, eu lembrei que nunca mostrei para vocês o logotipo desse supermercado.

Eu, que adoro cachorro, acho o logotipo bem bacana. Um cachorro terrier segurando uma cestinha.

Um dia no feriado da páscoa de 2017, eu estava recebendo visita. Meu amigo da Alemanha e eu estávamos caçando a entrada do jardim botânico quando vimos do outro lado uma placa que eu achei um pouco provocante.

Dizia: “Novo Netto a caminho…. estamos trabalhando nisso.”

Meu amigo que nunca tinha visto o logotipo do Netto ficou sem entender. Mas para bom entendedor, dá para ver exatamente no que eles estão “trabalhando”. 🙂

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Floquinhos

Olha, faz anos que não neva tanto na Dinamarca. No primeiro dia nevou com vento e minha sacada ficou toda coberta. Veja as fotos no fim desse artigo.

Lembro quando eu vi neve pela primeira vez, em 2001. Eu me apaixonei. Adoro ver tudo coberto de branco. Mas também reconheço os inconvenientes de nevar frequentemente. Fica tudo muito escorregadio, parece sabão. Acidentes, o trânsito fica bem lento, transporte público atrasa bastante, um perigo tomar um escorregão na calçada e se machucar de verdade. Sem falar no perigo de tomar um “banho de neve” quando a neve acumulada nos telhados começa a escorregar. Se você estiver no lugar errado no momento errado, pode ter uma “avalanche” caindo do telhado em cima de você. Na quinta-feira eu escapei de uma dessas por pouco.

O gostoso de neve é quando você está dentro de casa no quentinho observando a neve lá fora pela janela. Ou então, colocar umas roupas térmicas e se aventurar na neve fofa.

Meu caminho

Foi o que fiz na quinta-feira após o trabalho. Duas e pouco da tarde começou a dar pau na internet. Desliguei o computador, coloquei calça e jaqueta térmica, e resolvi caminhar dois terços do caminho do escritório para casa. Por que não? Estava frio, mas sol, sem vento, e eu tinha mais ou menos duas horas até o pôr do sol para atravessar a área de floresta. Ficar no meio da floresta depois do pôr do sol, não seria nada bom. Mas deu tudo certo.

Na área do Flyvestation, onde no verão eu vejo gente fazendo ciclismo, dessa vez eu vi gente fazendo ski nórdico (ski cross-country). Isso é coisa que raramente se vê na Dinamarca, já que aqui tem muito pouca neve normalmente.

Passei por áreas onde a camada de neve estava intacta. É tão bonito. Dá uma vontade de se jogar ali. Então vi umas pegadas e tentei adivinhar de quais animais. As de passarinho era fácil de adivinhar. Mas tinha umas que me deixaram em dúvida. Parecia um animal de tamanho médio, algo maior que um gato, porém eu tinha certeza de que não era pegada de cachorro. Não pensei mais nisso e continuei minha caminhada. Uns dez minutinhos pra frente, vejo uma raposa atravessando a trilha, uns dez metros na minha frente. Claro! Aquilo que vi antes era pegada de raposa!!

Nesse dia estava tudo muito silencioso. Os passarinhos não estavam cantando. Acho que eles estavam muito ocupados em se manter quentinhos. Vi uns patos nadando um riacho que não tinha congelado. Eu queria tirar uma foto, mas eles saíram voando assim que me viram. Medrosos!

Quando cheguei na área do lago, ele estava todo coberto de neve e eu dei graças por conhecer bem aquele caminho, porque não dava para diferenciar onde estava a trilha e onde começava o lago. Um pisão errado ali e você cai na água.

Definitivamente eu deveria andar na neve mais vezes. Voltei pra casa cheia de energia.

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Infiel

Minha mãe mencionou que no Brasil só se fala da Dinamarca, rainha que vai abdicar, e de traição e escândalo.

Eu, que não costumo ler o noticiário pois acho que só se fala de coisa ruim, estava sem saber e tive que perguntar “que traição, que não estou sabendo?” Ela me respondeu com o print ao lado.

Tive que pesquisar sobre esse escândalo e possível infidelidade do Frederico com a mexicana.

Puxa vida, tendo um mulherão como a Mary, ele vai atrás de bimbo mexicana? E ainda faz isso em público?

Não entendo.

Pelo que vi, essa notícia veio à tona no início de novembro do ano passado. Naqueles dias minha mente só pensava em Japão. Acho que eu nem abri a internet para checar notícias. Antigamente eu ficava sabendo das notícias importantes durante as conversas com colegas no trabalho, mas onde trabalho agora, meus colegas não falam comigo. Mal dão bom dia.

Eita. Um escândalo desses logo antes de virar rei? Mary não merecia. Mas também a gente nunca sabe o que se passa com um casal entre quatro paredes, que tipo de relação eles têm.

Bom, a gente de fora não sabe, mas aposto que quem trabalha no castelo sabe.

Não me lembro se eu comentei no blog, mas depois do meu divórcio, antes de achar um apartamento só pra mim, eu aluguei um quartinho no apartamento de uma guria que era chefe de cozinha no castelo da rainha. Aquela guria nunca comentou se sabe de alguma fofoca da vida da família real. Imagino que ela deve ter assinado mil e um documentos jurando sigilo. Mas que ela deve saber de uns babados, ah, isso não tenho dúvida!

E agora? Minha opinião do futuro rei caiu bastante. Deslealdade é algo que eu tenho dificuldade de perdoar.

Enquanto isso, os súditos da Dinamarca estão reservando hoteis em Copenhague no fim de semana para vir acompanhar a coroação no domingo. Li que o parque Tívoli pretende soltar 15 minutos de fogos às 18 horas para comemorar. Imagino que a cidade estará abarrotada de gente. Até a companhia de transporte público avisou que vai colocar trem extra.

Será que eu me animo a ir até lá debaixo de neve?

Outra notícia é que o parlamento vai decidir em quais castelos Frederico poderá morar depois de virar rei e se ele vai ganhar o mesmo salário que a mãe dele. A rainha Margarida ganha 91 milhões de coroas dinamarquesa por ano.

Minha opinião é que ele deve ganhar menos! Uma, pela deslealdade, e duas, por ainda não ter experiência no cargo!

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Cupido, a história toda

Em 2021 eu escrevi um post sobre cupido que gosta de sacanear com a gente.

Na minha antiga empresa tem esse ruivo. (Eu sou fã de ruivo. Fui casada com Carsten, que é praticamente um viking de barba ruiva, por 16 anos!) O cara é atraente e tanto eu quanto várias das minhas colegas concordamos que ele tem um charme e a mulherada fica se derretendo pra ele. Ele não é dina, é inglês e fala com um sotaque difícil de entender.

Ele é chefe do departamento de gerenciamentos de dados dos estudos clínicos no sexto andar, e eu trabalhava no departamento de documentação médica, preparando os documentos padrões (templates) no quinto andar. Durante meu primeiro ano na empresa, em 2015, nossos caminhos nunca tinham se cruzado. Até que meu departamento se mudou para o sexto andar em janeiro de 2016 e eu recebi um escritório só meu.

Aí sim eu via esse cara com frequencia, já que tinha que passar pela frente do meu escritório quando se está a caminho do refeitório na hora do almoço.

Um dia em 2018 eu estava preparando um treinamento eletrônico (e-learning) e eu queria gravar uns vídeos de demonstração. Minha chefe disse que meu sotaque era ruim, então eu procurei por gente que falava inglês como língua materna para narrar meus vídeos. No dia seguinte, vi esse cara passando pelo corredor e tive a doida ideia de gritar: ei você do cabelo vermelho (eu não lembrava o nome dele – sou péssima pra lembrar o nome das pessoas). Ele parou, deu meia volta e eu perguntei se ele teria meia hora para narrar dois vídeos para mim. Ele aceitou.

No dia da gravação, dei para ele o manuscrito. Ele trouxe seu próprio fone de ouvido com microfone. Enquanto eu abria os programas no computador, pensei em ser social e perguntei se ele tinha tido um bom fim de semana. Ele ignorou minha pergunta e mudou de assunto perguntado coisas sobre o texto. Então entendi que ele não se interessava em socializar.

Até que um dia calhou que estávamos a caminho do refeitório no mesmo horário e ele puxou papo comigo. Falamos de viagens. Era maio de 2019. Eu comentei que ia para a Suíça fazer trilha no monte Rigi. Ele me falou que tinha feito recentemente uma viagem com uma companhia de turismo inglesa chamada Explore e me recomendou a empresa e a trilha em Anapurna. Eu fui pesquisar e vi que a companhia tinha viagens muito interessantes e foi aí que eu achei a viagem para Japão (a mesma que acabei fazendo alguns meses atrás em 2023).

Também falamos de uma trilha no oeste das terras altas da Escócia (West Highland Way) e ele ficou de me emprestar um livro. E ele cumpriu a promessa. Apareceu com o livro no meu escritório uns dias mais tarde.

Depois disso, quando cruzávamos caminho só trocávamos um oi ou algumas poucas frases. Teve um dia que ele falou que tinha me visto no trem e achou estranho (eu antes morava do outro lado da rua da empresa). Eu comentei que tinha me mudado para Farum em 2021. Ele falou que mora em Vaerloese, que é o bairro aqui do lado, e que ele gosta de fazer comprar no shopping aqui perto do meu apartamento.

Em setembro de 2022 eu fiz a minha primeira viagem com a Explore, a companhia que o ruivo recomendou. Fiz trilhas na ilha Sardenha. Foi ótimo e quando voltei de viagem eu queria encontrar o ruivo novamente para agradecer pela recomendação. Um dia nos encontramos sem querer e eu disse que finalmente usei os serviços da companhia que ele tinha me recomendado. A resposta dele foi: oh, eu espero que tenha sido uma boa experiência (parecia que ele temia que eu fosse reclamar). Mas eu disse que foi ótimo.

Pouco tempo depois, em novembro de 2022 eu terminei meu mestrado e estava caçando um novo emprego, uma troca de carreira. Dentro da empresa havia poucas oportunidades. Minha chefe me disse que eu poderia tentar falar com outros chefes de departamento e peguntar se eles teriam recursos para me receber e me treinar. Um dos chefes que ela recomedou foi o ruivo.

Duas semanas mais tarde foi a festa de natal da empresa. O ruivo estava lá. Dei um oi de longe. Na hora de ir embora, eu fui pegar o meu casaco e mochila e eu o vi conversando com um pessoal bem ali na frente do chapeleiro. Eu ia olhar na direção dele para me despedir, mas não tive coragem. Baixei a cabeça e fui embora esperar o ônibus que daria uma carona até a estação mais próxima de metrô.

Eu não vi esse ruivo entrar no ônibus, mas quando cheguei na estação de metrô, ele estava lá com um povo do departamento dele. Como ele mora no bairro aqui perto de casa, eu sabia que iríamos pegar o mesmo trem e demoraria 30 minutos para chegar. Vi isso como uma oportunidade de perguntar se ele teria recursos no departamento dele e dizer que eu estudei um pouco de gerenciamento de dados. Não era a ocasião ideal para falar de negócios após uma festa de natal, mas eu não poderia perder uma chance dessas.

Quando o trem chegou, só entramos eu e ele. Para minha surpresa ele foi direto para o vagão silencioso, onde não se pode conversar. Eu fiquei sem reação e fiquei um pouco chateada, porque eu tinha feito um plano.

Nesse momento eu me lembrei daquele dia da gravação dos vídeos, quando ele não quis conversar nada pessoal. Achei simplesmente que ele não queria conversar comigo e por isso escolheu esse vagão. Eu entrei no mesmo vagão mas não me sentei ao lado dele. Pra quê, se não estamos juntos e nesse vagão não se pode conversar? Quando chegou na estação dele, ele me desejou bom fim de semana antes de sair do trem. Então lá se foi a oportunidade de perguntar se ele tinha lugar pra mim no departamento dele.

Depois disso comecei a procurar emprego em outras empresas.

Sabe, no dia que ele sentou no vagão do silêncio, eu fiquei com raiva, mas de vez em quando me pergunto se ele fez isso porque ele tinha me visto no trem uma vez e eu certamente estava sentada no vagão silencioso. Talvez ele tenha escolhido aquele vagão porque sabia que eu me sentiria mais a vontade lá. É possível. Enfim, já foi, não dá para consertar.

Quando voltei do Japão em novembro 2023 eu vi uma vaga de trabalho na minha antiga empresa. Fui chamada para duas rodadas de entrevistas. Quase todo mundo me conhecia naquela empresa, pois eu dava suporte para um monte de gente. Batendo papo com a gerente, comentei que fui ao Japão com a empresa que o ruivo recomendou. Ela revelou que no verão o ruivo fez uma viagem com a Explore. Ele fez a trilha no Kilimanjaro. Eu pensei, uau, esse cara só gosta de fazer trilha hardcore: Anapurna, Kilimanjaro. Caramba, que pique.

Sabe, de vez em quando, quando eu faço caminhada no bairro onde ele mora ou quando vou ao shopping aqui perto de casa, fico imaginando se o destino proporcionaria um encontro com o ruivo. Mas nos três anos que moro aqui, nunca aconteceu.

Nunca, até hoje.

Tem neve a dar com pau lá fora e a previsão do tempo era que faria sol o dia todo. Acordei animada com planos de colocar uma calça de ski (que é para ficar quentinha) e fazer uma caminhada ao redor do lago de Farum. Mas cadê esse sol? Perdi o pique e fiquei enrolando até três e pouco da tarde e só saí de casa porque realmente precisava ir ao supermercado.

Mas eu não estava com pressa. Coloquei minha calça de ski e um monte de blusa por baixo da jaqueta. No caminho tirei fotos da neve e vi crianças descendo o morro de trenó. Descobri que abriu um McDonalds no shopping. Eu não sou muito fã de McDonalds mas acabei comendo um sanduíche lá. Depois vasculhei algumas lojas antes de entrar no supermercado. Há 4 supermercados no shopping, e eu entrei num que se chama Netto.

Eu tinha pouca coisa na cestinha e no check-out fui naqueles caixas onde você mesmo escaneia seus produtos e paga direto na máquina. Eu tinha 8 coisas na cestinha, e o segundo produto deu problema e a máquina bipou. A atendente veio me ajudar e eu continuei escaneando minha compra. Aí meu quarto produto pibou também. Afe, fala sério! Eu não tenho paciência. Recolhi tudo daquela máquina e estava a caminho de um caixa normal, quando vejo um ruivo do outro lado do supermercado colocando trocentas pizzas congeladas dentro do carrinho.

Fiquei na dúvida se era ele. Não sei o que me deu. Eu normalmente não vou falar com os carinhas que acho atraente, mas fui e disse, desculpe, mas a gente se conhece? Ele disse que sim, da empresa. Conversamos por uns cinco minutinhos. Comentei que tinha ouvido falar do passeio dele no Kilimanjaro. Ele disse que eu definitivamente deveria fazer esse passeio. Eu disse que acabei de fazer Japão e que já tinha agendado outro passeio com a mesma empresa, para o outono de 2024. Ele me perguntou quanto tempo faz que eu saí da empresa e se eu gostaria de voltar. Eu disse que sim, que foi um erro ter saído de lá mas eu tinha terminado o mestrado e estava pronta para algo novo. Ele pergunteou qual a área de estudo do meu mestrado. Foi uma conversa boa, mas superficial. Então disse que não queria incomodar e me despedi.

Depois que paguei minha compra eu fiquei um pouco na frente do supermercado, ajeitando as compras dentro da minha mochila. Eu secretamente tinha esse desejo de que ele sairia do mercado e me convidaria para tomar um café. Mas não foi assim. Eu vim embora antes dele sair do mercado.

Engraçado que tantas vezes eu pensei que poderia encontrá-lo no shopping, mas justamente hoje, que eu estava de calça de ski e descabelada que finalmente acontece. É sempre assim, cupido só aparece nas horas que a gente menos espera.

Eu não sou apaixonada por esse cara, mas é uma atração e volta e meia eu penso nele.

Depois que partiram meu coração em 2018 eu nunca mais me relacionei com ninguém. Eu me fechei completamente, parei de cuidar da minha aparência, morri por dentro. Para piorar a situação, o cara que partiu meu coração resolveu vir morar na Dinamarca e trouxe a mulher búlgara dele junto. Quando ando no centro de Copenhague tenho receio de me deparar com eles, mas até hoje nunca aconteceu.

O encontro de hoje me deu energia e me deixou animada. Talvez tenha chegado a hora para me abrir. 2024 começando de uma maneira diferente.

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Rumo ao trono

O Copenhagen Post postou no Facebook uma foto bem bacana do futuro da Dinamarca, escrevendo “Um retrato do próximo monarca da Dinamarca”.

Frederico e Maria

Só li um trecho do texto mas entendi que ele tem o apoio de duas pessoas importantes, a atual e a antiga primeira-ministras. A antiga ministra disse que Frederico não vai tentar ser como a mãe. Disse que ele se achou nos últimos anos e terá seu próprio estilo.

Carsten sempre falava bem desse príncipe, por exemplo dizendo que o príncipe fez o serviço militar como qualquer outro cidadão (na verdade Frederico fez os três serviços: marinha, aeronáutica e exército! Poderoso esse menino!).

Talvez por isso eu sempre tive a impressão de que Frederico é uma pessoa responsável. Lembro de quando fizeram o filme “O príncipe e eu” em 2004 (com Julia Stiles que eu adoro), eu fiquei revoltada que tinham depictado o príncipe como um playboyzinho fútil que só gostava de corrida de carro. Eu achava que aquilo era ficção.

Olha minha decepção lendo o segundo parágrafo do artigo do Copenhagen Post dizendo que Frederico era um guri rebelde que gostava de carros velozes.

Sério isso? Chocada!

Mas dizem no terceiro parágrafo que Frederico mudou depois que encontrou Mary na Austrália nos jogos olímpicos de 2000. Então a relação com ela o fez amadurecer.

Eu cheguei na Dinamarca em 2001. Imagino que por isso eu nunca ouvi falar desse lado rebelde do futuro rei.

A coroação será domingo dia 14. Será que vou lá em Copenhague para ver? Provavelmente haverá um monte de gente na frente o castelo.

Bom, eu não preciso de um selfie com o rei. Já tenho foto com ele!

Em 2016, após meu afastamento por causa da cirurgia, meu primeiro dia de volta ao trabalho foi exatamente no dia que meu departamento fez uma gincana no meio da cidade. Era um foto safari que deve ter sido muito divertido, mas como eu não conseguia andar ainda por causa dos pontos na barriga, eu não pude participar e fiquei de encontrar o grupo mais tarde.

O ponto de encontro era no chafariz do castelo. Eu cheguei lá no momento mais oportuno. É aquela velha história de estar no lugar certo no momento certo! A foto está no post O príncipe e eu.

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